quarta-feira, 19 de maio de 2010

Não peça desculpas!

Paola*, uma aluna minha, tem sérios problemas com alguns alunos em sala. Fato é que seu jeito não agrada muito os alunos desta turma. E como as pessoas podem ser cruéis, esses mesmos alunos deram um jeito de mostrar isso a Paola. Ela não deixou por menos e aí se instalou uma confusão. Até aí, vocês podem perguntar: o que o blog tem com isso. Na verdade, não tinha nada, até que em conversa com Paola e depois de muito choro da moça, eu me peguei dizendo a ela "não peça desculpas pelo que você é". E nesse momento eu me lembrei que não faz tanto tempo assim, quem pedia desculpas era eu. A gente quando não se gosta, por qualquer motivo tende se sentir inadequado, como se a gente não fosse bom o suficiente para o mundo. No meu caso, sempre foi um problema com a minha auto-imagem. Imaginava eu que as pessoas acima do peso não podiam e não deviam viver a mesma vida das pessoas magras. Imaginava eu que eu precisava sempre me desculpar pelo meu tamanho em qualquer ocasião, para as pessoas pensarem ao menos que se eu não estava adequada a um padrão social, cultural de beleza, que pelo menos eu sabia disso. Então eu me desculpava. Sempre e para todos. Ou então eu pedia licença, permissão para ser quem eu era. Ai eu podia ser quem eu gostava de ser, se de alguma maneira eu pedisse permissão. É claro que não era uma coisa clara, nem protocolado em três vias (risos), mas de alguma maneira, com algum comportamento, ainda que muito velado, eu estava pedindo a alguém: será que dá pra me amar como eu sou? É possível? Posso ser quem eu sou? Bom, depois de muito tempo, muito quebrar cabeça é que eu comecei a pensar que a única pessoa para quem eu preciso pedir permissão para ser como eu sou é para mim mesma. Porque se eu não me permitir, não me amar como sou, então não serei completamente feliz e nem deixarei que outras pessoas me amem plenamente. Desde então, eu venho tentando parar de pedir desculpas a mim mesmo. E venho pedindo somente a mim a permissão necessãria para me amar, para me aceitar como sou, com todas as minha potencialidades e limitações. É um processo lento, não se acorda assim do dia pra noite, pelo menos eu sou assim, bem lentinha. Mas aprendí também a respeitar o meu próprio tempo e não deixar que me apressem. Quando estiver pronta eu vou saber. Agora a razão deste texto é compartilhar o sentimento com alguém por ai que possa se sentir assim, ou já ter se sentido. Não peça desculpas por ser quem você é. Desde que você não magoe ninguém sendo o que é, não magoe de verdade, nada nesse mundo e nem ninguém tem o direito de te dizer que você é inadequado ou que você não merece ser feliz como qualquer outra pessoa. Portanto, não peça desculpas por ser quem você é, não peça licença para ser você mesmo. Apenas seja. Apenas viva.

Um beijo, Ana Paula.  

*nome alterado para preservar a identidade

3 comentários:

Papu Morgado disse...

Ana, eu compreendo totalmente este texto e gostaria de postar no meu blog. Até bem pouco tempo eu também pedia desculpas por existir e procurava do lado de fora a validação da minha existência. Lindo texto! Posso postar? beijinhos

alessandrabayeux disse...

Ana, esse post caiu como uma luva pra mim! Eh exatamente assim que me sinto neste momento, inadequada! Bom ver pessoas que superaram isso, que me sirvam de inspiração! Essa semana li uma frase que achei tudo ''Dê a si mesmo antes de dar aos outros. Assim terá cada vez mais o que dar'', Amor Próprio, essa eh a ideia! Adoreii, parabéns!

Camila disse...

Lindo texto, Ana! Concordo plenamente... como diz Lulu Santos "Vamos nos permitir"! Bjssss