quinta-feira, 6 de maio de 2010

A linha tênue entre sinceridade e falta de educação.

"Eu falo o que penso". "Eu sou sincero porque digo tudo que me dá na cabeça". Quem nunca ouviu estas frases ou variações das mesmas? Eu conviví por muito tempo com uma pessoa que se dizia "franca", que "não tinha papas na língua" e que se gabava disso aos quatro ventos. Bem, sinceridade é fator fundamental para confiança, respeito em qualquer tipo de relação: amizade, namoro, casamento, no trabalho, na relação familiar e por ai. Mas o que me incomoda nos dias de hoje é que as pessoas não sabem reconhecer a tênue linha entre sinceridade e falta de educação. Acho sim, que a gente tem que dizer a verdade sempre. "Quem fala a verdade não merece castigo", foi o que eu aprendí em casa, mas a maneira como a gente fala as coisas é extremamente importante por dois motivos: a) a gente não precisa magoar alguém para ser sincero, se você faz as pessoas sofrerem com o que diz, qual o valor dessa "verdade"? b) a sinceridade enquanto expressão simples e pura do que é verdade pode ser muito subjetiva às vezes, eu sou sincera sobre uma coisa, mas às vezes aquilo não é do mesmo jeito para o meu vizinho. Quer um exemplo do que eu estou dizendo? Vamos supor que você vista uma roupa que não cai muito bem em você por algum motivo ou que eu simplesmente não goste nem um pouco da roupa. Daí você pergunta: "Como estou?" e entram aí duas possibilidades: o sincero-falo-tudo-na-cara pode te dizer: "Ficou péssimo, você está gorda e além do mais, esta roupa deixa o seu nariz enorme" ou "você não tem corpo pra usar isso"(só exemplos). Para a minha pessoa, tal opinião é grosseira, você faz o outro se sentir péssimo com esta resposta quando você poderia ter respondido com mais educação, algo tipo "Esta roupa não te favorece, que tal um outro modelo?" Ainda é a mesma opinião, sem precisar de usar de adjetivos pouco lisonjeiros.  Lembram do sincero-falo-tudo-na-cara com quem eu conviví? Essa pessoa era da opinião que se uma pessoa estava acima do peso, como eu, ela precisa ser constrangida para "tomar vergonha na cara e emagrecer". Nunca funcionou, é claro e eu ainda tomei pavor dessa pessoa.  Isso tudo baseado na sua franqueza e no pensamento dessa pessoa que só estava sendo sincera comigo, que era uma coisa que eu precisava saber e ouvir. Acho que nesse caso a verdade  pode ser muito subjetiva, pois enquanto uns acham que é preciso ser constrangido e humilhado para se perder peso outros pensam de maneira diferente. E ai, a sua sinceridade perde metade  do propósito.  Se você vai fazer uma critica construtiva, se quer que o outro melhore em algum aspecto, se acha que seu comentário pode ser proveitoso de alguma forma, por favor, seja sim, o mais sincero possível. Mas se você quer apenas ofender, humilhar, denegrir, ninguém precisa da sua tão dita sinceridade.  É claro que isso reflete a minha opinião, porque sinceramente, só convivendo com um sincero-falo-tudo-na-cara é que eu pude notar o quão grosseiras podem ser essas intervenções de sinceridade. E não pensem que eu quero que alguém mascare suas opiniões e nem mude de idéia do que vai dizer, porque falsidade é tão ou pior do que uma sinceridade desmedida. O que eu gostaria é que as pessoas lembrassem que todas as vezes que elas emitem um julgamento, uma opinião elas podem influenciar positiva ou negativamente uma pessoa, mas influenciar negativamente nunca é bom. E que a sua liberdade de ser sincero acaba quando começa a dignidade do outro. Espero opiniões nos comentários.

Fazendo um adendo, já que tive vários comentários e respondendo-os de alguma forma, esse texto é muito grande para ficar no layout do blog mas qualquer um é livre para citá-lo, desde que mencionada a fonte. Obrigado pelos comentários e dicas de vídeos!

Beijos, Ana Paula.

7 comentários:

Papu Morgado disse...

Oi Ana,
Muito pertinente este assunto, até porque as pessoas acima do peso estão sempre convivendo com criaturas "sinceras" que as vezes podem ter a "melhor das intenções", mas eu acho isso péssimo. Fazer os outros sentirem vergonha de seu corpo para "ajudá-los" é muito grosseiro. Hoje em dia estou aprendendo a não levar essas opiniões dos outros tão a sério, mas já sofri muito!
Este tipo de "sinceridade" não me interessa. Se eu magoo uma pessoa, por exemplo e ela expõe isso para mim é uma sinceridade que eu acho construtiva e eu posso repensar as minhas atitudes. Mas simplesmente "sua roupa está horrível", "vc está obesa" , "você deveria..." são grosserias. Se eu afeto o outro com o meu comportamento tudo bem, temos que ser sinceros nas nossas relações. Se eu pergunto diretamente algo e a pessoa dá uma opinião honesta, seja lá pelo que for, isso é sinceridade.
Mas sugestões, palavras que envergonham, críticas e opiniões não solicitadas, isso é grosseria e é algo que eu aprendi a não admitir. Meus amigos e minha família não fazem isso comigo e eu não dou abertura. Só pessoas que não me conhecem as vezes vem com estas pérolas. E tem outra coisa: eu acho que quem tem necessidade de falar agressivamente com o outro, fazer o outro se sentir mal consigo mesmo, é uma pessoa que provavelmente não se sente bem consigo mesma e usa os outros como saco de pancadas. E nessas horas é bom "espelhar" estes comentários: isso é um problema da pessoa, só passa a ser seu se vc permitir. Não podemos nos permitir ser machucados por pessoas que nada sabem sobre nós e nosso corpo.
Tem um vídeo que eu amo da Joy Nash e cheguei até a fazer legendas em português para botar no blog, mas não estou conseguindo de jeito nenhum colocar as legendas. http://www.youtube.com/watch?v=PyQ_IKkAM9I
Tem tudo a ver com esta discussão! Beijinhos

Peregrino R+C disse...

Irretocável. No texto a autora não se refere a ninguém especifico mas caiu como uma luva. Vesti literalmente a carapuça e tenho consciência de que preciso rever meus conceitos.

Ricardo.

TS disse...

Excelente post. Bem que poderia permanecer para sempre em um cantinho da página principal (nem que fosse apenas um link) e ser concedida a cortesia para que milhares de outros blogs copiassem, com o propósito de utilidade pública.

TS

Valkika disse...

É complicado...
Tem gente que nao tem noção mesmo .;.;..
EStou gorda, todas as vezes que emagreci foi por mim, nao por ser constrangida ... Minha mae fala direto que estou muito gorda, o dia que eu quiser e tiver condições emagreço.

Peregrino R+C disse...

Concordo esse post deveria estar sempre no topo. No meu ponto de vista, MELHOR POST DO BLOG.

Conversa informal... disse...

Olha eu concordo plenamente comigo naum finciona este tipo de comentário eu fico mal muito mal ja fiquei até depressiva por alguns comentários deste tipo mal mesmo concordo ki exitem pessoas ki levam pelo lado positivo serve como insentivo este tipo de comentário mais eu até me afundei em rem´dios para emagrecer nossa muito ruim acho ki a pesso tem ki conhecer muito a outra para fz este tipo de comentário ou ser sincera em qualquer aspecto ou diria de uma maneira grosseira procurar ser mais maleavel neh ...Adorei este tema parabens pela iniciativa de abordar este assunto ..beijuss

Mari disse...

Aninha,
Saudade querida! Andei sumida por uma boa causa, estou tirando minha carteira de motorista. :-)
Li seu post e pensei em duas pessoas, a primeira delas foi o House. O que é carismático nele(a falta de sensibilidade aos sentimentos alheios) o torna insurportável para os que o rodeiam... como Nietzche... e sinceramente, não pretendo morrer sozinha e infeliz falando blá blá blá sobre os meus inimigos.
A outra pessoa(nem era o alemão), Van Gogh... o mundo nunca entendeu a sensibilidade desse ser. Que mal há em ser sensível?! Eu as vezes me pego pensando: eu devo estar errada de me magoar com a rudeza alheia... e sabe de uma coisa, eu sempre sou sensível aos outros. Faço meus comentários de maneira doce, sempre que possível...e se meu lado House aflora desavisadamente, acabo me desculpando e dizendo que não intencionava ter sido cruel. A sinceridade as vezes é um disfarce para a crueldade... mas nós, amiga, ao invés atiramos em nossos abdomens e agonizarmos por dias antes de morrer, vamos usar nossas palavras para clamar pela delicadeza que anda sumida.
Pobre Vincent!

"For they could not love you
But still, your love was true
And when no hope was left in sight
On that starry, starry night
You took your life as lovers often do
But I could've told you, Vincent
This world was never meant
For one as beautiful as you"

Vincent - Don Maclean