domingo, 3 de janeiro de 2010

Sem medo de ser feliz!

Quando eu tinha 22 anos eu fui para a praia com uma amiga, em viagem de férias. Quando cheguei lá é que me dei conta que 90% das meninas eram magras e usavam biquini. E geralmente eram essas que atraiam os olhares masculinos. Pelo menos era assim na minha cabeça. E foi assim que com um céu azul lindo, um sol maravilhoso e um mar imenso eu acabei me isolando de todo mundo no primeiro dia. Eu me sentia diferente e indesejável, como se gordo atrapalhasse a vista, sabe? Era assim que eu me via, uma estranha na paisagem, afinal se o Brasil é o país do biquini, o litoral é a capital. Eu me sentia uma pária. Fiquei dentro do quarto da casa que alugamos, olhando a minha mala e amaldiçoando as roupas, em especial o meu maiô. "Não entro nisso nem a pau, eu não preciso de praia" era o que eu me dizia (eu tenho uma tendência ao drama, notem, rs.) quando uma de minhas amigas entrou no quarto - magra - com seu biquini azul.
- Paulinha, vamos pra praia?
- Não quero.
- Porquê? O que aconteceu?
Contei à ela de forma resumida todo o turbilhão que se passava em mim. O como era difícil assumir meu corpo perante o mundo, o quanto era difícil encarar uma rejeição por parte das pessoas, o quanto eu queria me esconder em muitas roupas e bem escuras porque elas sim, emagrecem. Minha amiga me olhava compadecida, mas quando me respondeu, usou um tom de voz bem mais austero.
- Paulinha, você é o que é e a rejeição começa na sua cabeça. As pessoas na rua podem até olhar, mas quem se rejeita é você. Agora se você é gordinha, mas é feliz assim, quem tem algo com isso? Quem é que paga suas contas, você ou o mundo? Então, a quem você tem que prestar alguma satisfação? A você não é? Então decida-se: se você quer ser gordinha tem que ser feliz como escolheu ser. Se não quer ser pense nas alternativas e mude. O importante é: não importa como você é, o que importa é se você é o que quer ser.
Naquele dia eu fiz uma escolha. Eu escolhí ser feliz. Apesar de tudo. Apesar de todos. Olhares maldosos? É claro que eles existem. Preconceito, idem. Não foi o mundo que mudou, foi eu. Eu escolhí que ia me gostar como fosse. E se algum dia eu não me gostar assim, eu sei que sempre posso mudar, sempre há tempo. Eu sou uma pessoa livre para ser o que eu quiser, eu apenas não tinha visto até aquele momento. Eu curtí intensamente esses 9 dias de praia, tomei sol, nadei, dancei, bebí e arrumei uma paquerinha bem bacana lá. Hoje quando olho as fotos eu sinto saudades dessa amiga - ela mora em outro país agora - porque ela me ajudou muito. É nela que eu penso sempre que vou à praia, clube ou em qualquer outro lugar no qual antes eu tremeria antes de entrar por medo das pessoas. Porque a gente não deve pedir desculpas por ser quem é, nem andar cabisbaixo, nem se esconder das pessoas com medo da rejeição. A gente precisa se amar sempre e ter a certeza que o amor que a gente sente pela gente reflete nas pessoas e volta pra gente. É claro que esse é o meu ponto de vista, mas eu queria que você amiga ou amigo que está ai, morrendo de vergonha de colocar um biquini ou aquele vestido, ou você que acha que fica feio de sunga, por favor, não esqueçam: vocês são lindos como são, não deixem de viver a vida por causa de algum padrão, tá? 

Beijocas, Ana Paula. 

3 comentários:

Marcela disse...

Oi Ana, mto legal seu post, qtas vezes fiquei na praia de roupa? dá pra contar nos dedados na verdade pq eu não fui lá mais de 10 vezes. Agora namoro um cara q ama praia, em casa lá e sempre quer ir. Eu tive q me virar né, aprendi e eu entr no mar, uso maiô, já usei até sunga com top de improviso, pq não tinha nada pra entrar. Se tava ridicula pros outros não sei, mas eu fiz o tive vontade e meu namô gosta de mim assim. beijos

Liria Souza disse...

OI ANA

MUITO BOM SEU TEXTO, A GENTE TEM QUE SER AMAR 1º MESMO....
OBRIGADA PELO RECADINHO NO MEU BLOG, O SEU É LINDOOO....
PARTICIPE SEMPRE SERÁ BEM VINDA...
BEIJOS E FELIZ 2010 PRA VC...

Mari disse...

Oi Ana,
Fico muito tempo sem comentar mas venho sempre aqui, viu?!
Nossa...até chorei lendo esse texto.
Tenho uma sobrinha gordinha de 9 anos que já começou o processo de se achar feia e se esconder(é que a irmã de 13 vive recebendo elogios "que corpão" hein, enquanto ela, que puxou a nós fica vigiada pelos pais o tempo todo). Lembro de ter me sentido assim, como você se sentiu aquele dia...mas també fiz a escolha de me sentir feliz: "Se os outros acharem feio que olhem pra outro lado" passou a ser o meu lema...e como você descobri que muitos acham bonito também, mas o essencial mesmo, é nós aceitarmos a nossa própria beleza, né?!
Beijo.
(quando ela tiver mais velha definitivamente vou fazê-la visitar esse blog).