domingo, 29 de novembro de 2009

"Pelo menos você não vai ficar gorda"


Ok, o mundo começa a olhar os gordos com outros olhos, nós falamos de aceitação, de beleza real, nós combatemos o preconceito, nós exigimos os nossos direitos e nos descobrimos lindos. O gordo é lindo, certo? Aí vem a Oprah - que diga-se de passagem já foi gorda - e faz uma declaração no mínimo infeliz. Eu explico: nossa querida Oprah entrevistava uma mulher vítima de um ataque de chipanzé no mês de fevereiro. Charla Nash, 65 anos estava visitando uma amiga quando foi atacada pelo animal de 100 quilos. Charla teve o nariz, os lábios e as pálbebras arrancadas pelo chipanzé - que só parou quando foi morto a tiros pela polícia - e perdeu os olhos por causa da infecção e também uma das mãos. Os danos foram tantos e tão agressivos que Charla agora é candidata ao transplante facial. E duas semanas atrás, Charla foi entrevistada por Oprah, contando de sua vida após o ataque, inclusive que ela se alimenta através de um canudo ouvindo da apresentadora a pérola: "pelo menos você não vai ficar gorda"! Claro, cega e desfigurada pode. Gorda, nem moooorta né Oprah? E gente, eu simplesmente adoro a Oprah, gosto mesmo, acho ela simpatissíssima, mas a declaração foi infeliz, infeliz mesmo, para não dizer pior. Isso mostra o quanto ser gordo está terrivelmente ligado com maus estereótipos: ser gordo é ruim. Já reparou como se você chamar uma pessoa de gorda é pior do que chamá-la de burra, idiota entre outras coisas? Outro dia numa conversa com uma amiga ela se referiu a mim como "uma moça assim, acima do peso" e eu disse: "gorda né Fulana" ao que ela respondeu: "não, eu não quero ofender você, não preciso te chamar de gorda" como se gorda fosse ofensivo, como se fosse ruim, a pior coisa do mundo. Poxa, Dona Oprah, pensa melhor antes de fazer um comentário desses. Mesmo de longe como eu, tem muita gordinha que te admira muito e que fica chateada com tanto desdém.

3 comentários:

Litha disse...

Isso me lembra o episódio de Drop Dead Diva que se chama "The F Word" (no caso, Fat). O episódio é de como criam vários apelidos pra não ter que usar a palavra "Gorda". Cheinha, Gordinha, Fofinha, Exuberante, Excesso de gostosura, a lista é grande.

Às vezes eu me refiro a mim mesma como gorda e as pessoas se sentem desconfortáveis! Um ex namorado meu já pediu pra eu parar de me referir a mim como gorda porque as pessoas com quem estávamos se sentiam mal. E minha pergunta é: "por que??" Deve ser porque eles acham que isso é um palavrão, um xingamento feio, e não gostariam que a amiga deles fosse ofendida nem mesmo por ela. Pelo amor de deus! Longe de mim!
Me chamo de gorda assim como me chamo de ruiva! (apesar de falsa ruiva, hehe).

Sou gorda mesmo e não nego!

Nanna (Carla Renata) disse...

Gente... gorda virou palavra de baixo calão... como tem gente medíocre nesse mundo né...
Fico horrorizada com certas frases que ouço.. cenas que assisto..mas enfim.. melhor deixar pra lá..rs
bjs e uma ótima semana

Papu Morgado disse...

Eu não costumo assistir a Oprah porque não gosto muito deste tipo de programa, mas a admiro por ser uma mulher que se construiu do nada, ela era pobre, sofreu abusos sexuais, é negra ou seja, tinha tudo para ser uma vítima da vida. Ela tem um problema pessoal com ser gorda, ela vive emagrecendo e engordando e da última vez que engordou, chegando aos (OH!) 90 kilos, pediu desculpas publicamente em seu programa, dizendo que se sentia envergonhada por ter engordado de novo. Diante disso, o comentário é coerente com a forma que ela se sente em relação a ser gordo. Em vários blogs dos EUA que acompanho esta relação de amor e ódio de Oprah com seu corpo.
É uma pena que uma mulher que é uma vencedora, que conseguiu conquistar tanta coisa, apesar das chances estarem todas contra ela, não ter conseguido conquistar o amor incondicional por si mesma.
Mais triste ainda é o poder de influenciar pessoas que ela tem, que poderia ser utilizado para "empoderar" outras mulheres ao invés de envergonhá-las. bjos