sexta-feira, 1 de maio de 2009


O que fazer quando são os pequeninos que sofrem discriminação por causa do peso? Peguei-me pensando na pergunta feita por uma colega em uma comunidade do Orkut. Conta ela que a filha está alguns quilos acima do peso e anda sofrendo com os coleguinhas de escola e do prédio aonde mora. A mãe, pede uma opinião à outras meninas gordinhas. Eu pensei bastante no assunto e embora tenha formulado a minha opinião a ela de forma direta vim aqui compartilhar o que penso, caso mais alguém aí precise de uma luz sobre o tema. Acredito que não dá para a mãe bater de porta em porta e pedir as outras crianças que parem com a gozação, aliás, isso só a aumentaria. Como infelizmente não podemos enfiar na cabeça das pessoas noções de respeito ao próximo como se fosse um chapéu, acredito que a mãe pode trabalhar a questão em sua própria filha. Falando por mim quando tinha 6, 8 anos e já era gorda e já ouvia coisas como "baleia" e daí para cima eu gostaria muito que alguém tivesse me dito que eu era linda do jeitinho que eu era, que cada pessoa pode ser como quiser e que ser gorda não era o fim do mundo. Acho que teria crescido mais confiante e certamente teria tido menos problemas com a minha autoimagem. Bom, eu acredito que teria sido assim. No entanto meus pais nunca se ligaram muito no problema e eu também nunca reclamei em casa de nenhuma agressão sofrida, eu achava infantil demais envolver minha mãe nessas coisas. Mas voltando à minha amiga, acredito que nesse caso temos de reforçar a autoestima da criança, mas é claro que temos que de fato acreditar naquilo que dizemos. Crianças sabem quando não estamos sendo sinceros e elas observam muito as nossas atitudes e palavras, Portanto não adianta dizer que ela pode se aceitar como é se você critica a aparência de todo mundo e em especial dos gordos. É claro que não precisa fazer nenhuma apologia à obesidade, basta apenas fazer ela entender que existe vida na diversidade, que ela não precisa ser magra para ser feliz, mas que se quiser ser magra também é uma escolha dela e que ela tem o seu apoio. Não sou especialista nem psicóloga, mas acho que este é o caminho mais acertado, quando você mostra ao seu filho que ao contrário das revistas e anúncios de TV nem todo mundo precise ser extremamente magro para ser feliz e aceito e que existe beleza em todas as pessoas, basta que tenhamos olhos para ver.

Um comentário:

Mari disse...

Querida Ana,
Acho que quando criança, não sofria tanto por ser gorda, afinal, (quase)todos da minha família são gordos e isso não me fazia achar minha mãe, irmãos e irmãs menos bonitos. Eu era a gorda sim, mas em primeiro lugar eu era a Mariana-menina, divertida, forte e popular entre os garotos(não pela beleza mas por outros fatores) e isso não me magoava porque eu era criança e não queria ser "a mais gostosa".Hoje, continuo sendo o contra-exemplo, para meus alunos, minhas sobrinhas. Outro dia uma aluna minha me abraçou apertado e disse "teacher, é tão bom te abraçar, você é tão fofinha". Eu me sinto bonita, me acredito bonita...e acho que essa é a minha maneira de dizer às minhas aluninhas gordinhas que está okay em sermos gordos, afinal, cada um é cada um.